Bau

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Quem somos nós

Atmosfera é uma apresentação que conjuga o tempero do teatro à sonoridade da música; o movimento do espetáculo à intimidade da leitura; o sabor literário à diversidade do sarau!!!

Desde 2007, vem realizando apresentações mensais no atual Instituto Austragésio de Athaíde, também conhecido como Casarão do Cosme Velho, montando roteiros variados que contemplam autores como Nelson Rodrigues, Clarice Lispector, Luis Fernando Veríssimo, Stanislaw Ponte Preta, Guimarães Rosa, Arthur Azevedo, João do Rio, além dos poetas Carlos Drummond de Andrade, Gonçalves Dias, Murilo Mendes, Oswald de Andrade, Mario de Andrade, Mario Quintana, José Paulo Paes, Cacaso, Ferreira Gullar e muitos outros.

Os roteiros são preparados a partir de temas que variam a cada mês. Já falamos de desejo, de amor, de amizade, do tempo, da era do rádio, do Rio no início do século, selecionando crônicas, poemas, músicas, contos, enfim, os mais diversos gêneros literários. As diferentes linguagens em cena resultam no que chamamos de Atmosfera.

O núcleo do trabalho é formado por Ana Cretton, Elísio Filho e Henrique Luis Cukierman, que já atuaram em diferentes espetáculos como atores, João de Freitas Henriques, cenógrafo e Luna Messina, cantora profissional. Eventualmente participam também convidados especiais.

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Atmosfera

ATMOSFERA – release

No sábado, 15 de maio, a partir das 21 horas, o Instituto Cultural Austregésilo de Athayde abre suas portas para mais uma apresentação do ATMOSFERA, evento que reúne um grupo de pessoas apaixonadas pela leitura e literatura. Este é o quarto ano em que o Atmosfera vem marcando presença mensal no bucólico casarão do Cosme Velho, apresentando roteiros variados a cada encontro. Crônicas, poemas, músicas, contos, enfim, os mais diversos gêneros literários são encenados em uma performance de extraordinária comunicação com o público, produzindo uma ambiência envolvente e de alta intensidade: uma ATMOSFERA!

Para o mês de maio os organizadores selecionaram contos que, sob a perspectiva bem humorada de Luis Fernando Verissimo, o tom misterioso de Drummond e a escrita minuciosa de Monteiro Lobato, contam diferentes histórias. Completam a noite a leitura de pequenos textos recolhidos da literatura oral, entremeados por trechos de músicas e poemas…

O núcleo do trabalho é formado pelos atores Ana Cretton, Henrique Cukierman e João de Freitas, pela cantora Luna Messina e pela bailarina Sindia Santos. A novidade desse mês está por conta da participação especial do violinista mineiro Ayran Nicodemo e da atriz e mímica Beth Zalcman.

2009

Em abril:

A mulher e os espelhos

Em maio:

Uma outra onda no ar

Época de ouro do rádio no Brasil

Em junho:

Histórias Cariocas

Em julho:

João do Rio

Em agosto:

Quem foi que inventou o Brasil?

Em setembro:

SEXUS

Em outubro:

HISTÓRIAS QUE A VOVÓ

NÃO CONTAVA

Em Novembro:

VARIETÊ
um show de variedades

Em 2007 e 2008 apresentamos os seguintes roteiros:

Frívola City

Cenas Brasileiras

Sem enfeite

Tempo Tempo Tempo

Desejo

Amigo é pra essas coisas

É mentira mas é gostoso

Natal

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Textos selecionados em roteiros

QUEM PERGUNTA QUER SABER Arthur Azevedo

No terraço, o Machado e sua esposa, repinpados em cadeiras de balanço, fazem o chilo de saboroso jantar.

Ela – Ó Machado?

Ele – Vai dizendo.

Ela – Que coisa é essa de centenário da abertura dos portos?

Ele – Quer dizer que há 100 anos os portos foram abertos.

Ela – Mas que portos?

Ele – Os portos do Brasil.

Ela – Então os portos do Brasil foram abertos.

Ele – Foram.

Ela – Dantes eram fechados?

Ele – Certamente que sim; se não fosse não poderiam ser abertos.

Ela – O nosso porto, o porto do Rio de Janeiro, por exemplo, era fechado?

Ele – O nosso porto e os outros – o porto de Santos, o porto da Bahia, o porto do Pará…

Ela (continuando) – O Porto Alegre, o porto das caixas, o porto novo do Cunha…

Ele (interrompendo-a) – Cala-te! Não digas asneiras! Falo dos grandes portos.

Ela – Mas vem cá Machado… porque é que eles estavam fechados?

Ele – Estavam fechados porque não estavam abertos.

Ela – E não estavam abertos porque estavam fechados. Fiquei na mesma. O que quero saber é como eles estavam fechados! Sei como se fecha uma porta, mas não sei como se fecha um porto!

Ele – É estilo figurado, minha tola! Não se diz que uma questão está aberta? Não se diz que uma discussão está fechada? Não quer dizer que havia uma chave para abrir a questão ou a discussão… assim um porto pode estar fechado, percebeste?

Ela – Não.

Ele – Valha-te Deus! Não sei o que aprendestes nas Irmãs!

Ela – Bom, não é preciso ficar de cara fechada!

Ele – Ora, aí tens! Cara fechada! Estilo figurado! Estou de cara fechada, mas não preciso de chave para abri-la! Que quer dizer cara fechada? Cara de alguém que se zanga! Há diversos modos de estar fechado! Uma discussão, uma cara, um porto não podem estar fechados pelo mesmo processo ou pelo mesmo sistema que um quarto ou uma gaveta! Está visto que não se põe uma tranca nem um cadeado num porto!

Ela – Bom, não insisto (a parte). Ele sabe tanto como eu o que é um porto fechado.

O Doutor (entrando) – Ora, muito boa tarde! Cheguei a tempo para o café?

Ela – Ora papai, chegou a deixa! Ele aí vem (entra criado com uma bandeja na mão e serve).

O Doutor – Vim hoje um pouco mais tarde, porque fui ver um doente e não me demoro porque o tempo está se fechando.

Ele (a ela) – Ouves? “O tempo está se fechando”. Quede a chave do tempo?

Ela (de mau modo) – Basta!…

O Doutor  – O que é isso? Vocês estão a disputar?

Ele – Não faça caso, meu sogro, ela…

Ela – Deixe-o falar, papai, ele… o caso é este: como é hoje centenário da abertura dos portos, eu perguntei-lhe o que são portos abertos; ele não me soube explicar, começou a falar à toa, eu impacientei-me…

O Doutor – A explicação é fácil! Portos abertos são aqueles em que é permitida a entrada de embarcações estrangeiras e portos fechados são aqueles onde as embarcações não podem entrar.

Ela – Ah! Isso sim! Agora sim, senhor! Agora sei o que é um porto aberto! Obrigada, papai!

Ele – Ufa…

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